"Como posso esquecer teus lábios? Como deixar de lado o mais sublime dos beijos, em nossa última despedida? Naquela ocasião, me recordo perfeitamente, todas minhas sensações se voltaram totalmente a ti; era como se todas minhas terminações nervosas se concentrassem em meus lábios tocando os teus, minhas mãos em volta do teu corpo, meu olfato com teu inesquecível perfume… o mundo simplesmente parou naqueles instantes em que nos beijamos. As flores que não desabrocharam nestes nossos minutos, não o fizeram por capricho, mas seus frutos, naquela safra, foram excepcionalmente doces; nossa culpa.
Como posso passar por cima daqueles momentos? Mesmo que quisesse, como apagar, de minha memória, tão extraordinário encontro de almas em sedosos beijos apaixonados? Nossas últimas trocas de olhares, tristes pela iminente separação, afloraram toda nossa cumplicidade, todo sentimentalismo que muitos tentaram, sem sucesso, descrever com palavras; talvez por nunca, estes escritores, terem vivenciado momento tão ímpar. Primeiro e último beijos nunca se esquecem, aquele pela conquista que representa, este por ainda se sentir o gosto; e por isto não consigo deixá-la para trás, fora de minha vida: teu último beijo está em meus lábios, ainda te sinto em meus braços, engolindo em seco entre duas lágrimas; teu aroma ainda me embriaga; tua boca, semiaberta, ainda vejo se aproximando da minha, como se fosse me tragar à outras dimensões, o que, posteriormente percebi, realmente aconteceu! Mas esta em que estou agora é solitária, nada que encontre me faz esquecer teus lábios, tão corados como um salmão, tão preciosos quanto caviar, tão macios como a seda, tão gostosos quanto só os teus conseguiram ser. Assim, tão maravilhosos quanto teus."
“Como Posso Esquecer Teus Lábios” – Jul/2004
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