sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Realidade

Pensei que seria a única vez, a última vez. Mas foi tão bom! Não que tenha superado as expectativas, mas foi REAL. Não era mais uma fantasia, um sonho... Aconteceu de verdade. Eu senti seu beijo, seu perfume, sua virilidade, sua força, sua fragilidade. Eu senti... e ainda está em mim. E eu quero mais, e mais. E ele sabe disso. E é bom, me faz bem, me deixa feliz!

Não sei ao certo o que é. Que definição posso dar a esse sentimento? Uma mistura de êxtase com tranquilidade. Um ópio que me liberta. Uma sensação indecifrável. Sei que é bom demais!!! Sinto sua presença mais que nunca, agora. E ele com esse seu olhar que me diz tantas coisas, mas ao mesmo tempo me deixa tantas dúvidas. Tantas perguntas a serem feitas e respostas a serem dadas. Será que estamos fugindo disso tudo? Será que não queremos revirar o passado e lembrar do que aconteceu? Pensar que poderia ser tudo tão diferente... Não! Nossas escolhas foram feitas. E se erramos, já sofremos as consequências. Todos temos o direito ao erro.

Uma aposta feita de maneira equivocada pode marcar para sempre nossas vidas. E eu apostei. Apostei todas as minhas cartas para ser feliz! Precipitada, talvez. Imatura, magoada. Mas era o que eu tinha, boas cartas, mas não suficientes para ganhar o jogo. A vida me apareceu com cartas mais altas, com as quais eu não consegui superar.

Meu casamento caminhou conforme os padrões durante um bom tempo. Mas chegou o momento que eu já não tinha mais nenhuma carta na manga para descartar. Tive meus maravilhosos filhos. Que serão meus, meu sangue, minha vida para toda ela. Fui uma mãe dedicada, quase perfeita. Abdiquei de muitas coisas para vê-los felizes, sorrindo. Chata muitas vezes, mas é preciso. Ainda é preciso e acredito que ainda sou a mãe que sempre fui. Tentando melhorar sempre. Mas além de mãe eu sou mulher. E as vaidades que deixei pelo caminho eu consegui recuperar. As amizades que deixei repousando agora acordaram. E sinto que preciso disso para poder viver melhor. Mas quem mora comigo não conseguiu assimilar isso - não meus filhos - mas meu marido. A pessoa a quem me dediquei por horas, por dias, por meses, por anos. Sempre o deixei livre nas suas decisões, o apoiei mesmo não estando de acordo, estive do seu lado nos momentos difíceis. E agora que eu me redescubro, que conquisto o meu ser, ele não aceita.

Esgotou minha paciência, minha tolerância, minha compreensão. E fui atrás de algo que poderia me suprir tudo isso. Não estou justificando minha atitude com relação a Léo. Só estou tentando entender por que uma relação desgastada não pode ser facilmente finalizada antes de perdermos o respeito que temos um pelo outro. O amor, a amizade que ainda sentimos deveria ser preservada com uma atitude, que muitos pensam ser o fim, mas acredito ser o início de uma nova vida para ambos. E sem perdermos a admiração que sempre existiu desde que nos conhecemos.

Pessoas falam coisas sem imaginar o poder que as palavras têm sobre as outras. Palavras podem lhe fazer a pessoa mais feliz do universo, mas também podem magoar profundamente, e se essas forem repetidas em curto espaço de tempo, podem causar um efeito devastador na sua alma. Não quero que isso aconteça comigo. Não estou disposta a suportar certas palavras que me corroem o espírito, que me enfraquecem e me fazem chorar. Se for para chorar, quero que seja de felicidade, com o coração aberto e não apertado, angustiado.

Hoje Léo sabe como me fazer chorar sorrindo. Lembrar dos tempos passados de forma mais amena, mais tranquila. Sem mágoa, sem revolta. Apenas um passado que ficou na lembrança. O que importa é o que ficou de nós. O que somos hoje, nossa essência, nosso íntimo. Léo me traz alegria, felicidade. E enquanto isso acontecer o quero perto de mim. Eu quero.


BIA


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