sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Tempo

E foi assim... eu me sentia melhor agora! Mas Léo nunca saiu do meu pensamento. Eu tentei, mas era mais forte que eu. Então deixei aquele sentimento, que eu nutria por ele, adormecer. Foi um sono meio turbulento no começo, com alguns pesadelos, mas aos poucos, com o tempo, foi se tornando mais tranquilo. Apesar de existirem dias que eu sentia muita falta dele do meu lado. Queria vê-lo, nem que fosse só para ficar admirando seu sorriso, sua voz...

Eu estava com Alexandre agora. Sentia-me muito grata por ele ter me doado a sua energia, a sua disposição para ficar comigo. Estávamos muito bem! Aprendi a me apaixonar por Alexandre, aprendi a gostar dele, a amá-lo. Mas não, nunca da mesma maneira, o mesmo sentimento que tive por Léo.
Com Léo sempre foi uma explosão de desejos, de tesão. E algo mais nobre também. Um sentimento que até hoje eu não sei explicar exatamente o que é. Muitas vontades... muitas saudades...

Por vezes eu sentia saudade dele e tinha vontade de chutar o balde, de terminar meu namoro com Alexandre e ir atrás de Léo novamente. Mas eu não sabia de seu paradeiro, como iria começar a fazer isso? E além do mais, eu tinha prometido a mim mesma que eu ficaria na minha por pelo menos dez anos. Muito tempo hein guria?!!?!?! Poderia ter dito uns 2 anos!!! Então minha ficha caía, voltava a realidade e me via ali com Alexandre, vivendo bons momentos, divertindo-nos com os amigos. Éramos bastante jovens ainda e fomos nos apegando de tal forma que não consegui pensar na ausência de Alexandre na minha vida.

Passou o tempo, eu e Ale nos casamos e tivemos filhos. Construímos juntos nossa família, nosso patrimônio. Passei muito tempo bem quieta, apenas cuidando dos nossos pequenos; estava acomodada só observando meus filhos crescerem. Mas cadê a Bia de sempre? Cadê aquela garota ativa, dinâmica, que sempre estava em todas as reuniões com amigos, em todas as baladas. Opa!!! Peraí... eu estava casada, tinha filhos agora... minha responsabilidade aumentou... não sou apenas eu, tenho que pensar na minha família. Mas sem perder a identidade, não é Bia?!?!?! Você pode continuar a cuidar dos seus sem perder a diversão, sem deixar de fazer o que você gosta, sem deixar de sair com os amigos.

Pois é... comecei a me encontrar novamente. Fui pra academia, mudei de emprego, busquei meus antigos, nem tão antigos e novos amigos. E fiquei mais feliz!!!! Mas quem disse que Ale também estava feliz? Diz ele estar alegre com a minha decisão, diz que me apóia, mas todas as decisões que tomo ele se esforça a aceitar, ou aceita por eu não desistir. Também sei ser teimosa! Tudo que ouço em primeira instância é um NÃO! Depois recorro e ganho a causa, mas seguido de muito argumento. Ou faço as coisas conforme eu quero, só depois ele fica sabendo. Será que ele está feliz? Será que eu estou feliz assim?

É... a vida sempre tem seus percalços. Basta a nós saber como resolvê-los.


" A dor é inevitável. O sofrimento é opcional." Carlos Drummond


BIA



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quem te levanta pode também te derrubar

Às vezes quem te levanta é a mesma pessoa que um dia te derrubará. Não gosto de pensar assim... mas estou sentindo uma pontada de verdade nessa frase.

Há uns dois anos atrás houve um episódio na minha vida que fez com que eu perdesse
a confiança de meu esposo. Eu sei... tive culpa nesse caso. Mas não era pra esquecer? Não era pra perdoar? Afinal, não houve nada que possa ter abalado tanto
a estrutura do nosso casamento!? Ou houve? Foi assim...

Essa porra de celular! Por que passamos nosso número para pessoas que tem a intenção de foder (literalmente) com você? Pois é... Eu tinha um colega que pediu o meu celu, e eu passei pra ele (sem pretensões), afinal nos conhecíamos há alguns meses já. E estávamos tratando de um assunto em comum entre alguns de nós. E passamos celular e msn entre os amigos. Um dia, no messenger, ele me chama e começamos a conversar. Depois de uns 15 minutos no assunto que, realmente, interessava ele resolve desviar a conversa para outro rumo. Falando que me achava atraente e essas coisas que todo homem sabe dizer quando está a fim de comer uma mulher. Eu comecei a achar engraçada a situação, pois fazia tempo que não acontecia algo assim comigo, principalmente, quando se é um garoto bem mais jovem e conhecido. Comecei a estender essa conversa mole para ver onde ia parar. Porque iria parar, com certeza. E assim foi... ele teve a petulância de me convidar para ir na sua casa e ver o que rolava. Nesse momento eu coloquei um basta. Mas o menino era teimoso demais. Disse que iria insistir até conseguir me convencer que seria muito bom. Eu sei que seria bom, mas eu não queria! E disse isso pra ele. Então começou a me enviar mensagens pelo celular. E numa dessas meu marido viu. E, é óbvio, veio tirar satisfações comigo. Eu expliquei, exatamente, o que vinha acontecendo. Como eu já disse, o erro foi meu de ter dado corda para o rapaz. Mas fui sincera ao contar a história desde o início, não escondi nada. Não houve nada entre mim e essa pessoa, a não ser essas mensagens que eu já estava colocando um fim.
Enfim... o garoto não me dá sossego até hoje. Sempre insistente e eu cortando. Mas foi a partir daí que senti o meu casamento ir se desfazendo aos poucos. Porque meu marido diz ter acreditado em mim, mas uma pulga atrás da orelha ficou. Diz ter perdoado, mas isso sempre vem à tona em nossas discussões. E sinto um ar de desconfiança em todas as coisas que faço. Quando saio sozinha e demoro pra chegar. Quando não atendo o celular. Quando ele perde o controle das coisas que estou fazendo. O monitoramento sobre mim a partir de então é geral. E eu não suporto isso. Não consigo viver pressionada, tendo que dar satisfação de tudo que faço. Para continuar nossa relação numa boa, eu fiz vistas grossas para algumas coisas que eu não concordava, mas a atitude dele vem se agravando, pensando que sou sua propriedade e não me deixando ser eu mesma. O que é isso? O que está acontecendo? E quando não entramos em acordo, ele fala para mim absurdos, lembra desse episódio sempre e se mostra descrente naquilo que eu digo. Porra, que merda! Se não acredita mais em mim, o que faz ainda comigo? São nossos filhos que impedem que sigamos nossas vidas separados? Ou será que é o amor próprio dele?

Não quero viver ao lado de alguém que me cospe na cara atitudes que não cometi. Não quero ficar ouvindo coisas que não fiz. Ele me derruba com suas palavras, com seus ciúmes, com sua falta de crédito em mim. Agora preciso me levantar novamente. Eu estou num momento bom e quero que as pessoas ao meu redor também se sintam assim. Por que não consigo fazer feliz quem eu tanto amo? Por que não podemos ser amigos se já não conseguimos mais ser amantes? Não posso me deixar cair, preciso estar em pé, firme, para o que está por vir. Seja lá o que for.

BIA


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Realidade

Pensei que seria a única vez, a última vez. Mas foi tão bom! Não que tenha superado as expectativas, mas foi REAL. Não era mais uma fantasia, um sonho... Aconteceu de verdade. Eu senti seu beijo, seu perfume, sua virilidade, sua força, sua fragilidade. Eu senti... e ainda está em mim. E eu quero mais, e mais. E ele sabe disso. E é bom, me faz bem, me deixa feliz!

Não sei ao certo o que é. Que definição posso dar a esse sentimento? Uma mistura de êxtase com tranquilidade. Um ópio que me liberta. Uma sensação indecifrável. Sei que é bom demais!!! Sinto sua presença mais que nunca, agora. E ele com esse seu olhar que me diz tantas coisas, mas ao mesmo tempo me deixa tantas dúvidas. Tantas perguntas a serem feitas e respostas a serem dadas. Será que estamos fugindo disso tudo? Será que não queremos revirar o passado e lembrar do que aconteceu? Pensar que poderia ser tudo tão diferente... Não! Nossas escolhas foram feitas. E se erramos, já sofremos as consequências. Todos temos o direito ao erro.

Uma aposta feita de maneira equivocada pode marcar para sempre nossas vidas. E eu apostei. Apostei todas as minhas cartas para ser feliz! Precipitada, talvez. Imatura, magoada. Mas era o que eu tinha, boas cartas, mas não suficientes para ganhar o jogo. A vida me apareceu com cartas mais altas, com as quais eu não consegui superar.

Meu casamento caminhou conforme os padrões durante um bom tempo. Mas chegou o momento que eu já não tinha mais nenhuma carta na manga para descartar. Tive meus maravilhosos filhos. Que serão meus, meu sangue, minha vida para toda ela. Fui uma mãe dedicada, quase perfeita. Abdiquei de muitas coisas para vê-los felizes, sorrindo. Chata muitas vezes, mas é preciso. Ainda é preciso e acredito que ainda sou a mãe que sempre fui. Tentando melhorar sempre. Mas além de mãe eu sou mulher. E as vaidades que deixei pelo caminho eu consegui recuperar. As amizades que deixei repousando agora acordaram. E sinto que preciso disso para poder viver melhor. Mas quem mora comigo não conseguiu assimilar isso - não meus filhos - mas meu marido. A pessoa a quem me dediquei por horas, por dias, por meses, por anos. Sempre o deixei livre nas suas decisões, o apoiei mesmo não estando de acordo, estive do seu lado nos momentos difíceis. E agora que eu me redescubro, que conquisto o meu ser, ele não aceita.

Esgotou minha paciência, minha tolerância, minha compreensão. E fui atrás de algo que poderia me suprir tudo isso. Não estou justificando minha atitude com relação a Léo. Só estou tentando entender por que uma relação desgastada não pode ser facilmente finalizada antes de perdermos o respeito que temos um pelo outro. O amor, a amizade que ainda sentimos deveria ser preservada com uma atitude, que muitos pensam ser o fim, mas acredito ser o início de uma nova vida para ambos. E sem perdermos a admiração que sempre existiu desde que nos conhecemos.

Pessoas falam coisas sem imaginar o poder que as palavras têm sobre as outras. Palavras podem lhe fazer a pessoa mais feliz do universo, mas também podem magoar profundamente, e se essas forem repetidas em curto espaço de tempo, podem causar um efeito devastador na sua alma. Não quero que isso aconteça comigo. Não estou disposta a suportar certas palavras que me corroem o espírito, que me enfraquecem e me fazem chorar. Se for para chorar, quero que seja de felicidade, com o coração aberto e não apertado, angustiado.

Hoje Léo sabe como me fazer chorar sorrindo. Lembrar dos tempos passados de forma mais amena, mais tranquila. Sem mágoa, sem revolta. Apenas um passado que ficou na lembrança. O que importa é o que ficou de nós. O que somos hoje, nossa essência, nosso íntimo. Léo me traz alegria, felicidade. E enquanto isso acontecer o quero perto de mim. Eu quero.


BIA


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Auto Estima Renovada

Existem muitas maneiras de se dizer a alguém que está tudo acabado. Dessa vez, essa foi a forma que Léo encontrou de me dispensar de novo. Um nocaute que me deixou desacordada durante muito tempo! Se é assim que ele queria... percebi que estava atrapalhando suas decisões. Meu único intuito era fazê-lo feliz, e se ele o estava assim, se para ele era um alívio, um peso a menos para carregar, eu acataria sem nada argumentar.

Mas, intimamente, eu ainda o esperava telefonar dando uma satisfação sobre a sua ausência no casamento de minha irmã. Ainda esperava encontrá-lo de algum jeito... E foi o que aconteceu. Eu estava voltando do trabalho para casa,num sábado, horário de almoço, quando olho pela janela do carro e o vejo tão lindo. Instintivamente abri um largo sorriso, mas do seu lado, segurando em sua mão estava uma garota. Em milésimos de segundos meu sorriso se desvaneceu. E segui em frente. Não senti raiva dele, mas de mim. Por que eu ainda tinha esperança? Por quê? E ali, nesse momento minha vida seguiu um outro rumo.

Não aceitava mais ouvir o nome dele, o apelido, qualquer coisa que me fizesse lembrá-lo. Eu queria esquecer; eu precisava esquecer. Numa noite recebo o telefonema de uma amiga me convidando para sair. Já tudo acertado ela começa a falar que tinha encontrado Léo num barzinho um dia desses. "- Chega!!!! Não quero mais ouvir, não me interessa mais. Já era!" foi o que ela me ouviu dizer. " -Bia, ele ainda gosta de você!" ela retrucou. "- MENTIRA! Não faz isso comigo, amiga! Eu estou com alguém agora, alguém que gosta de mim, que não tem medo de ser feliz ao meu lado." E deixamos o assunto por encerrado. Ela me conhecia e sabia bem o quanto eu sofri, o quanto eu chorei, o esforço incomum que fiz para me manter firme na minha decisão.

Sim, já havia passado metade de um ano e eu conhecera uma pessoa que me ajudou nessa trajetória. Alguém que me fez lembrar por alguns instantes que eu podia ser amada. Que eu não era uma pessoa tão difícil de amar. Que eu era compreensiva, companheira, amiga, e que precisava voltar a ser feliz. Quando decidi, realmente, me entregar a esse romance fiz algo que ninguém acreditou. Nessa época eu tinha os cabelos pela cintura, todo ondulado, sem tinta (ainda). Cabelo virgem e comprido! Bonito!!! Um lindo dia de frio, com aquele sol maravilhoso, o céu azul, sem nuvem nenhuma, resolvi cortar as madeixas. Cortei, bem curtinho, curtíssimo. Todos queriam me matar. Por que???? Se agora eu estava mais viva que nunca!!!


BIA





sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Definição?!?!?!?!

Uma semana que mais pareceu um mês... então Léo me ligou confirmando o café para o dia seguinte. NÃO!!!! No próximo dia não poderia ir, tinha um compromisso inadiável. Então ficou para depois de amanhã. Mais um dia inteiro ainda... Tudo bem!... A espera também é interessante para aguçarmos nossos instintos.

E, finalmente, chegou o esperado dia. Um comprimento cordial para começarmos... e aquela vontade louca de me jogar em seus braços e amá-lo de novo, como há muito eu não fazia. "-Posso te levar pra onde eu quiser?" foi o que ele me perguntou. Ele poderia me levar até para o inferno se quisesse, pois eu continuaria me sentindo no céu. E fomos... para o céu!

E senti Léo ali perto de mim, e a medida que o tempo ia passando sentia que ele se aproximava ainda mais. E foi assim desde o dia em que decidi que estava no momento dele fazer parte da minha vida de novo. Sabia que algum dia eu iria encontrá-lo, e sabia também que não me conteria de vontade de querer estar com ele como nos outros tempos. Mas agora era um tanto diferente, estávamos mais maduros, mais experientes. Talvez eu nem sofresse tanto se ele não me quisesse. Talvez eu nem sofresse... Mas o problema é que eu tinha certeza que ele também sentia o mesmo por mim. Eu sentia... eu sinto!...

Nossos corpos estavam ardendo de desejo. Ao se tocarem houve uma grande erupção. Um vulcão que adormecera por anos e agora acorda sem temer o que vem depois. Um beijo ainda mais ardente, que nos traz lembranças do passado, mas que nos faz querer aproveitar o presente. Aquele momento ímpar que envolve nossos corpos nus agora. Sinto seu membro rígido em minha perna. Quero ser penetrada, quero que ele venha com toda sua masculinidade para dentro de mim. Quero senti-lo o mais perto possível, o mais dentro possível. Nosso beijo se transforma numa labareda que queima, que arde e nos deixa com essa vontade tamanha de sermos um do outro novamente. E assim acontece!... Ele está em mim agora. Eu o agarro, o aperto com toda a minha força como se não quisesse deixá-lo sair dali.

E ficamos assim por horas inteiras, com vontade que fossem infinitas. Eu queria mais... queria mais... mais!... "- Vamos ter que repetir!" foi o que ouvi ele dizendo. Então eu percebi que Léo tinha entrado novamente em minha vida. Não apenas porque eu havia decidido isso, mas porque ele resolveu fazer parte, mais uma vez, da minha história, da nossa história. E quem sabe dar a ela um final mais coerente, mais condizente com tudo que sentimos um pelo outro. Ou até não por fim a isso, jamais.

BIA