Nosso relacionamento começou com uma grande amizade. E, eu acredito, que a amizade vale mais que uma paixão. Sim, eu estava apaixonada. Mas o que eu sentia por Léo ia além disso. Ele sabia me fazer sorrir, me fazer feliz. A sua presença me completava, e todos nossos amigos, pessoas que nos conheciam podiam perceber a nossa felicidade por estarmos juntos.
Ele me surpreendia... sempre. No meu aniversário ele compôs uma música para mim. Linda! Quando ele começou a cantar me emocionei com a letra, com a melodia e com sua voz rouca cantando pra mim. Seus olhos brilhavam e se encontravam com os meus que também reluziam de felicidade. Como era bom tê-lo ao meu lado.
Passamos muitos dias, meses nessa sintonia e tudo estava perfeito. Perfeito.
No meio do ano, na minha formatura ele estava lá, torcendo por mim, sorrindo prá mim e me admirando. Dançamos a noite inteira nós dois, juntos com os amigos. Meses antes ele entrou numa escola de dança para poder me acompanhar, no fim ele acabou me ensinando alguns passos da dança. Fazíamos uma dupla boa! Continuávamos saindo e nos divertindo. Na pista de dança ninguém nos batia. Era sincronia perfeita (ou quase). O Natal comemoramos juntos, com a sua família. Emoção no momento da Ceia, diversão na revelação do amigo oculto. O Reveillon... passei sem ele. Por que? Não sei.
Léo saiu de cena. Foi viajar e não me disse nada. Fiquei triste, muito triste.
No início do ano recebo uma carta dele falando que precisava me ver, conversar comigo. E ele assinou "seu amigo Léo". Amigo? Somente Amigo? Não entendi, aliás, não quis compreender.
Marcamos uma noite, num barzinho da cidade e fomos lá... Ficamos ali horas a fio, falando de nós, quando ele disse que estava confuso, não sabia o que realmente pretendia, que seríamos sempre amigos, mas nosso namoro tinha acabado.
Certo. Aceitei. O que mais eu poderia fazer a não ser aceitar a sua decisão? E continuamos conversando como bons e velhos amigos. Mas eu sentia em seu olhar que nem tudo estava perdido.
Quando Léo me deixou no portão de casa e nos despedimos eu desabei... pois sabia que ele iria embora e não sabia quando iria vê-lo novamente. Eu não teria mais o direito de ligar pra ele e dizer que estava com saudade, convidá-lo para ir em casa ficar comigo. Isso eu não teria mais.
E disse pra ele que tudo não passava de uma mentira, que eu aceitava seus argumentos porque não tinha outra alternativa, mas dentro de mim eu estava gritando, pedindo pra ele não me abandonar, pra ficar comigo, me abraçar, me beijar... e chorei.
Chorei muitos dias sozinha. A ausência de Léo estava sendo quase insuportável para mim. Então decidi não pensar mais, parar de sofrer por isso, deixar as coisas se resolverem conforme tem que ser. Mas eu continuava o desejando, no entanto, sabia que esse sentimento iria se desvanecer com o tempo. Como tudo que não é cultivado acaba morrendo.
E assim se passaram os dias, os meses... Sempre tive muitos amigos, conhecidos que não me deixavam sem companhia, e quando isso acontecia procurava preencher meu tempo com outras coisas, e minha vida seguiu seu rumo.
Certo dia recebo o telefonema de um amigo dele falando algumas coisas sobre Léo. Coisas que para mim não estavam fazendo sentido. Mas eu precisava de uma resposta. Eu sempre procuro uma resposta. E fui me encontrar com Rodrigo, o garoto que me ligou.
BIA
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