Passaram-se duas semanas após o nosso reencontro. Eu estava tranquila, pensava nele o tempo todo, mas de uma maneira mais serena, pois sabia que ele estava de volta na minha vida.
Com o celular em mãos envio uma mensagem convidando Léo para almoçar. Sem resposta; simplesmente nenhum contato. Vou deixando o tempo passar. Quem sabe ele me responda amanhã, ou depois. Nada. Sem esperar por qualquer coisa, levo os dias normalmente. Ou quase. E assim passam as semanas, e eu já não penso mais numa resposta. Tento esquecer.
Quando, finalmente, não tenho mais argumentos para explicar a ausência de Léo desde aquele dia; quando, finalmente, estou certa que não existirá mais nenhum olhar, nenhum soriso, nenhuma conversa entre nós. Quando estou entretida com o meu trabalho e sem pensamentos voltados a nossa relação, recebo uma mensagem em meu celular. "Que tal um café?"
É óbvio que respondo imediatamente: "Quando você puder me liga para combinarmos." Mas sem muita expectativa de ter uma resposta rápida e precisa. Menos de três minutos depois meu telefone toca. É Léo me convidando para um café a tarde, naquele dia mesmo. Não respondeu antes porque estava viajando... Marcamos para o outro dia.
Chego alguns minutos atrasada na Cafeteria, no centro da cidade. Vejo Léo ali sentado a minha espera. Quando me vê abre aquele sorriso maravilhoso e, cavalheiro como sempre, puxa uma cadeira para eu sentar. Um chocolate quente mais um capuccino e ficamos ali a tarde toda conversando, rindo, gargalhando. Exatamente como fazíamos há 20 anos atrás. E não queria que o tempo passasse, queria ficar ali ao lado dele, apenas por estar ao seu lado, ouvir a sua voz e rirmos juntos. Mas eu tinha outros compromissos; ele também.
O que será que acontece quando nossos olhos se encontram? Um turbilhão de pensamentos. Os mesmos de tantos anos anterior. Um sorriso apenas. Essa é a deixa para que nossos lábios se aproximem, não se encostam, apenas um ao lado do outro numa leveza ímpar. Fecho os olhos e penso se devo levar isso adiante.
Hoje não sou apenas eu. No decorrer desses anos construí uma família: meu esposo e meu casal de gêmeos. Mas estou ali, diante de uma situação que eu mesma criei. E agora não sei o que fazer frente a algo que eu sempre sonhei e está a ponto de se realizar. Eu precisava de resposta para explicar o que eu nunca consegui entender: por que Léo saiu da minha vida? E precisava de um beijo, o último talvez - o de despedida.
BIA
É......Os lábios não se encostam, mas se encontram, se aproximam, não se tocam e, do "quase" se inicia o belo, o sensual, uma danca sensitiva com intensidade para ferver dois coracões. Fazendo dos pequeninos movimentos de cada um, puro prazer.
ResponderExcluirPra onde iriam esses dois, se o pudéssem?